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O QUE É C.E.P. CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSO

CEP CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSO

O CEP – Controle Estatístico de Processo – é uma das ferramentas de qualidade muito utilizadas por indústrias da cadeia automobilistica para fazer o monitoramento e gestão dos processo. Neste artigo vou explicar o objetivo desta ferramenta e como aplicá-la.

Qual a origem do CEP?

O Controle Estatístico do Processo mais conhecido para nós como CEP, foi criado por Walter Shewhart (1891 – 1967) no início do século 20 e difundido no mundo por Edwards Deming (1900 – 1993)  a partir da década de 60 com a aplicação do CEP no ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act).

Qual o objetivo do CEP?

O CEP tem como objetivo analisar, estudar e apresentar a variabilidade dos processos, diferente do que a maioria das pessoas acreditam, podemos aplicar o CEP em qualquer tipo de processo seja ele de manufatura de transformação, prestação de serviços ou mesmo um processo administrativo. Para isso, basta entender as variáveis do processo, saber os limites ou critérios de aceitação e utilizar o método para efetuar a análise e monitoramento.

Como aplicar o CEP?

Para a aplicação é importante entender que todas as coisas possuem variações, pequenas ou grandes, entre si. Mesmo na natureza podemos notar estas variações como por exemplo um ramo  com folhas, embora se pareçam muito, não são iguais; nós serem humanos também possuímos diferenças entre alturas, cor dos olhos, tamanho dos pés, etc. Trazendo este conceito para uma indústria, em um processo de fabricação, por melhor que seja a tecnologia aplicada, sempre há variações entre as peças produzidas. Conceitualmente processo é a combinação de vários fatores que resultam em um produto ou serviço, desta forma a variabilidade pode ser gerada em várias fontes. O que precisamos fazer é conhecer esta variabilidade, saber como funcionam os processos, entender o fenômeno, compreender e dominar as variações e não ser dominado por ela.

Como manter a efetividade deste controle?

De acordo com Hradesky (1989), para que o Controle Estatístico de Processos seja eficaz são necessários 10% de ação estatística e 90% de ação administrativa. Este controle eficaz contém 5 ingredientes principais :

  • Técnicas estatísticas
  • Técnicas de solução de problemas
  • Liderança e atitudes para aperfeiçoamento da produtividade da qualidade
  • Planejamento da qualidade
  • Método sistemático, que atua como catalisador.

Com as informações citadas verificamos que realmente o maior esforço na implantação do CEP não esta no uso das técnicas mas sim o que fazer com elas , a análise , interpretação e ações gerenciais sobre o processo. É muito importante que se avalie e valide os sistemas de medição para se ter certeza que os dados coletados são confiáveis para evitar ações sobre o processo em função de dados de medições incorretos, caso isto ocorra irá gerar ações equivocadas e não eficazes, para estas avalições de sistema de medição também utilizamos técnicas estatísticas especificas que são descritas no manual MSA.

Os 2 tipos de dados que serão avaliados

Temos dois tipos de dados : Qualitativos e Quantitativos. Os dados qualitativos são tipos de dados que descrevem características do produto exemplo: cor, passa/não passa, ausência/presença de componentes, etc. Esses dados são classificados como tipo atributos. Os dados quantitativos podem ser descritos como  medições realizadas em algum produto ou processo, exemplo: a altura de um bloco, dureza de um peça tratada, largura de um rasgo, altura da cabeça, temperatura da zona de um forno, etc. Esses dados são classificados como tipo variáveis. De um modo geral, o seguimento de autopeças dá preferência para a aplicação do CEP com dados do tipo variáveis, pois temos uma capacidade de prevenção na ferramenta, enquanto os dados qualitativos monitoramos se as falhas do processo acontecem dentro de um padrão aceitável do processo, ou seja, com caráter mais corretivo.

A pré análise

Uma vez definida a estratégia, a característica a ser monitorada e a avaliação do sistema de medição, é preciso realizar uma pré-análise do comportamento do processo, e para isso, são utilizados gráficos de linhas chamados de “Cartas de Controle”. Nestes gráficos são plotados dados coletados do processo com tamanho de amostras e o tempo entre as coletadas, por exemplo: 5 peças a cada 1 hora, uma vez coletados pelo menos 25 subgrupos devemos verificar o desenho formado pelo gráfico observando se há tendências do processo. Essas tendências podem ser crescentes, decrescentes, ciclos, entre outros sintomas característicos. Monitorando o processo desta forma é possílve atuar de maneira preventiva sobre o processo, enxergando o que pode acontecer caso não seja feito nada, ou até mesmo, conseguir com estas análises as respostas para problemas antigos que não se sabia a causa.

Avaliação da capabilidde do processo

Com o processo livre de tendências, ou seja, estável, é preciso analisar a capacidade do processo em fornecer peças e serviços dentro das especificações e limites determinados pela engenharia. Para efetuar a análise de capabilidade utiliza-se índices estatísticos conhecidos como Cp, Cpk e Pp e Ppk. Estes índices basicamente comparam a variabilidade do processo (desvio padrão) contra especificações e limites de controle. O mínimo solicitado pelas Montadoras para características especiais em um processo de homologação de produto é de Cpk ≥ 1,67. Pode-se entender com este índice que a variação do processo deve caber 1,67 vezes dentro da especificação, ou seja, a variação do processo é bem menor que o campo de tolerância. Queremos saber na pratica se a variação do processo cabe ou não na tolerância determinada, essa condição proporciona segurança, pois trabalhando desta forma, mesmo com as variações que todo processo pois a probabilidade de sair peças não conforme é muito pequena.

Podemos observar que o CEP é uma ferramenta poderosa para o monitoramento e gestão dos processos, evitando retrabalhos, refugos, reclamações de clientes e contribuindo para a redução de custos, da não qualidade e melhoria da satisfação do cliente.

André Spiandorello
About The Author

André Spiandorello

Formado em Metalurgia, Bacharel em Administração de Empresas e MBA em Engenharia da Qualidade. Com 22 anos de experiência na área de Gestão da Qualidade, trabalhou na gestão de empresas nacionais e multinacionais nos seguimentos de auto-peças, eletro-eletrônicos, alimentício e de energia. Auditor Líder ISO/TS 16949 e ISO 9001:2008 certificado pela RAB e AIAG. Certificado Black Belt (Seis Sigma), Coordenador de vários processos de certificação dentre eles , ISO 9001:2008; QS 9000 e ISO/TS 16949. Atualmente presta consultoria a empresas de diversos segmentos nas áreas de gestão da qualidade e melhoria de processos.

Blog Comments

Esse estudo elucidou muita coisa para mim, obrigada !

Olá Venuzia, ficamos felizes em poder ajudar. Até mais.

Ótimo artigo!!!!

Olá Felipe, obrigado pelo feedback.
Até mais.

Bom dia
Belissimo artigo a respeito do CEP, parabens…..

O Q4 ja esta preparado para CEP??
Existe a intenção de implementar o CEP dentro do Q4??

Olá Estevão, obrigado pelo comentário! O Q4 não tem este recuro ainda mas estamos trabalhando em um projeto relacionado a gestão da qualidade, teremos novidades!

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